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	<title>Blog Oficial: famosos, modelos, famosas, VIPs, empresas, etc.Fernando Gabeira</title>
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	<description>Blogs oficiais de famosos, modelos, famosas, atletas, atores, atrizes, cantores, cantoras, marcas famosas, políticos, blogs corporativos e BBB. Conteúdo de blog oficial.</description>
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		<title>Cabeça do Cachorro</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 10:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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Veja as outras edições do Diário Visual.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" style="width:600px;height:424px" id="be931033-1267-b869-3c8b-daf28843cfc0" ><param name="movie" value="http://static.issuu.com/webembed/viewers/style1/v2/IssuuReader.swf?mode=mini&amp;shareMenuEnabled=false&amp;proSidebarEnabled=true&amp;printButtonEnabled=false&amp;shareButtonEnabled=false&amp;searchButtonEnabled=false&amp;backgroundColor=%23ffffff&amp;documentId=111201100439-65ac99c453f54a7187837de15d115725" /><param name="allowfullscreen" value="true"/><param name="menu" value="false"/><param name="wmode" value="transparent"/><embed src="http://static.issuu.com/webembed/viewers/style1/v2/IssuuReader.swf" type="application/x-shockwave-flash" style="width:600px;height:424px" flashvars="mode=mini&amp;shareMenuEnabled=false&amp;proSidebarEnabled=true&amp;printButtonEnabled=false&amp;shareButtonEnabled=false&amp;searchButtonEnabled=false&amp;backgroundColor=%23ffffff&amp;documentId=111201100439-65ac99c453f54a7187837de15d115725" allowfullscreen="true" menu="false" wmode="transparent" /></object></p>
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		<title>Viagem sentimental a Noronha</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 07:53:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Parto hoje para Fernando de Noronha onde vou visitar uma netinha de coração, que vive lá. Aproveito para escrever um texto de viagem para o caderno Viagem do Estadão. É um gênero  de reportagem que já fiz algumas vezes, um bom trabalho para o fim de semana. Trarei fotos feitas em terra e mar e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/dois-irm%C3%A3os-11.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7753" title="dois irmãos 11" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/dois-irm%C3%A3os-11.jpg" alt="" width="640" height="417" /></a></p>
<p>Parto hoje para Fernando de Noronha onde vou visitar uma netinha de coração, que vive lá. Aproveito para escrever um texto de viagem para o caderno Viagem do Estadão. É um gênero  de reportagem que já fiz algumas vezes, um bom trabalho para o fim de semana. Trarei fotos feitas em terra e mar e espero complementar com as belas imagens submarinas que são feitas pelas pessoas de lá.</p>
<p>Nesse período tentarei alimentar o blog. Gosto da luta para conseguir  esse tipo de conexão que só aparece em alguns momentos, em alguns lugares. Tanto sinal do telefone como a conexão da internet são bastante fugazes. Muitas vezes os perdemos porque passam sem serem percebidos. Mas é uma espécie de gincana</p>
<p>Em outra dimensão, essa ida a Fernando de Noronha me lembra a luta dos moradores para que a ilha voltasse às mãos do governo federal. Procurado por eles, cheguei a formular a emenda constitucional, mas a volta ao governo da união  dependia de plebiscito em todo Pernambuco. Era impossível vencer .</p>
<p>Hoje, duvido se o problema é  mesmo estar nas mãos de Pernambuco ou do governo federal. A resposta é a cooperação entre os dois. Os problemas ainda não se tornaram insolúveis . O espírito da minha viagem, pela natureza da visita à neta, é de otimismo. Sem perder o contato com a realidade.</p>
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		<title>Oriente Médio, novas e próximas tragédias</title>
		<link>http://oficial.blog.br/45192/oriente-medio-novas-e-proximas-tragedias/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 14:37:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[De volta da Amazônia foi possível perceber como o Oriente Médio não só é principal foco de tensão mundial como produz crises em série. Refiro-me aos três temas em cartaz: eleições no Egito, massacres na Síria, tumultos na embaixada britânica no Irã. No caso egípcio, as manifestações voltaram ao auge porque os militares ofereceram uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/embaixada_ira.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7747" title="embaixada_ira" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/embaixada_ira.jpg" alt="" width="640" height="457" /></a></p>
<p>De volta da Amazônia foi possível perceber como o Oriente Médio não só é principal foco de tensão mundial como produz crises em série.</p>
<p>Refiro-me aos três temas em cartaz: eleições no Egito, massacres na Síria, tumultos na embaixada britânica no Irã.</p>
<p>No caso egípcio, as manifestações voltaram ao auge porque os militares ofereceram uma limitada visão de democracia. Não querem submeter seu orçamento ao exame do país.</p>
<p>Eles sabem o que fazem. Segundo a imprensa internacional, os militares são uma grande empresa. Administram US$1,3 bilhões enviados pelos Estados Unidos e têm inúmeras empresas, muitas delas usando soldados como trabalhadores. Produzem milhões de dólares de lucros que não são contabilizados abertamente.</p>
<p>Um especialista nas questões militares egpícias, Robert Springborg, sintetizou assim, na Newsweek, a posição dos militares:” não querem nem mando nem governo, mas também não querem ser mandados ou governados”. Querem apenas continuar enriquecendo.</p>
<p>Na Síria a novidade da semana foi o relatório da Comissão da ONU, que tem à frente, Paulo Sérgio Pinheiro. Dado inédito: 250 de crianças mortas.</p>
<p>Leio relato do jornalista James Harkin que conseguiu entrar incógnito, na cidade de Homs, o alvo maior da repressão de Bashar al- Assad. O clima é de guerra e toque de recolher.</p>
<p>Isolada pela Liga Árabe, condenada pela ONU, a Síria infelizmente ainda vai produzir mortos, antes que o ditador caia.</p>
<p>Finalmente o Irã onde o conflito não está sendo entre oposição e governo mas entre militantes islâmicos e potências ocidentais. A invasão da embaixada britânica foi um caso grave que leva insegurança a todas as representações diplomáticas ocidentais.</p>
<p>Se o Irã não garante nem as embaixadas e está no centro das atenções estrangeiras é sinal de que adotou a provocação. E num momento em que Israel fala em bombardear  e uma forte corrente nos Estados Unidos ainda defende um ataque preventivo.</p>
<p>Não dá para ignorar o Oriente Médio nem por um fim de semana. Lá, a crise tende sempre a se agravar.</p>
<p>No caso da Síria, o Brasil tende a se alinhar com os críticos da repressão. Dilma trouxe uma nova nuance nas relações com o Irã. Ainda assim, será difícil uma posição de equilíbrio nessa tragédia em movimento.</p>
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		<title>Vida e morte na política</title>
		<link>http://oficial.blog.br/45126/vida-e-morte-na-politica/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 12:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Três temas aparecem entrelaçados na minha cabeça: o fervor dos egípcios nas eleições de ontem, o aumento da incidência de AIDS entre os adolescentes brasileiros e as pesquisas que revelam como são inseguros os carros populares no país. Fiquei comovido com a presença maçica dos egípcios. Anciões eram praticamente carregados pelos familiares para votar. Ninguém [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7741" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/ilustra_acidentes_moto2.jpg"><img class="size-full wp-image-7741" title="ilustra_acidentes_moto" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/ilustra_acidentes_moto2.jpg" alt="" width="640" height="438" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração: Cadu Tavares</p></div>
<p>Três temas aparecem entrelaçados na minha cabeça: o fervor dos egípcios nas eleições de ontem, o aumento da incidência de AIDS entre os adolescentes brasileiros e as pesquisas que revelam como são inseguros os carros populares no país.</p>
<p>Fiquei comovido com a presença maçica dos egípcios. Anciões eram praticamente carregados pelos familiares para votar. Ninguém parecia cansado de estar na fila.</p>
<p>Claro que no futuro tudo isso será mais confortável, informatizado como no Brasil. Mas será que o ardor se transformará no tédio brasileiro diante da política?</p>
<p>Tanto as mortes no trânsito como as mortes pela AIDS dependem da política e me remetem, com uma ponta de nostalgia, à época, no Parlamento, em que ainda era possível tentar alguma coisa em favor da vida.</p>
<p>No caso dos carros populares, fomos derrotados. Na votação do Código Nacional do Trânsito, havia emenda determinando que todos os carros tivessem bolsas infláveis (airbags).</p>
<p>A emenda foi esmagada pela indústria e a maioria no Parlamento, na época liderada pelo PSDB. Os carros populares ficariam mais caros, diziam os adversários da emenda. A vida dos donos de carros populares vale tanto quanto a dos outros, dizíamos nós.</p>
<p>As pesquisas mostram agora que sete modelos de carros populares são inseguros, verdadeiras armadilhas sobre rodas, como diz o Estadão, em editorial de hoje.</p>
<p>No Brasil, perdemos 19 pessoas em 100 mil, com acidentes de trânsito. Na Europa esse índice cai para 5 por 100 mil.</p>
<p>O Ministro da Saúde, ao constatar o avanço da AIDS entre adolescentes, afirma que essa geração não viveu o grande medo que tivemos, quando a doença apareceu.</p>
<p>Mas a culpa, o Ministro esqueceu de dizer, não é da nova geração. É , principalmente, da nossa geração que viveu aqueles tempos e não soube transmitir a importância dos cuidados. A sobrevida que a ciência proporcionou aos doentes talvez tenha ajudado a baixar a guarda.</p>
<p>De novo, volto à importância da política. Num único momento em que estive na mesma trincheira em que Sarney, aprovamos, &#8211; o projeto era dele no Senado e meu na Câmara- o coquetel de drogas gratuito para pacientes com AIDS.</p>
<p>Demos o primeiro passo, que acabou inibindo um pouco o segundo e permanente movimento: o da educação sobre a AIDS , entre os que nunca ouviram falar da doença.</p>
<p>Talvez seja porisso que tenha me comovido com as filas no Egito, apesar do crescente perigo de vitória de extremistas, e mesmo da violência cotidiana que os egpícios impoêm aos jornalistas e, sobretudo, às mulheres que ousam cobrir os acontecimentos na Praça Tahir.</p>
<p>As pessoas passam horas nas filas porque acham a política decisiva para suas vidas. No Brasil, essa esperança foi devastada pelos próprios politicos. As eleicões dependem de muito dinheiro e cabos eleitorais de profissão.</p>
<p>Teremos um dia o fervor dos egpicíos? Ou eles viverão eleicões tão burocráticas e profissionais como  as nossas?</p>
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		<title>Manchas de óleo e outras manchas</title>
		<link>http://oficial.blog.br/45022/manchas-de-oleo-e-outras-manchas/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 15:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Petrobras]]></category>
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		<description><![CDATA[De volta ao Rio, vejo nos jornais o que soube pelo telefone, ainda na conexão  em Manaus: manchas de óleo chegaram à praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes. O secretário Carlos Minc afirma que as manchas foram produzidas por Jet-sky. Os surfistas afirmam que não viram Jet-sky na Macumba. Como saber a verdade? Isto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Modest+Oil+Disaster.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7735" title="Modest+Oil+Disaster" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Modest+Oil+Disaster.jpg" alt="" width="640" height="481" /></a></p>
<p>De volta ao Rio, vejo nos jornais o que soube pelo telefone, ainda na conexão  em Manaus: manchas de óleo chegaram à praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes.</p>
<p>O secretário Carlos Minc afirma que as manchas foram produzidas por Jet-sky. Os surfistas afirmam que não viram Jet-sky na Macumba.</p>
<p>Como saber a verdade? Isto nos remete à notícia mais espantosa relativa ao petróleo: a ANP gastou com fiscalização o equivalente dos gastos da Petrobrás com cafezinho. Os gastos foram de apenas de R$5,03 milhões.</p>
<p>Na sexta feira, publiquei um artigo no Estadão questionando a relação do Brasil com o <a href="http://www.gabeira.com.br/index.php/2011/11/25/entre-a-terra-e-o-mar/" >oceano</a>. Discutimos mais os royalties do que a maneira adequada de tratar o Atlântico, cujas riquezas não se se resumem ao óleo.</p>
<p>Mostrei que mesmo com dinheiro, a fiscalização costuma não ter a mesma base técnica das empresas e, constantemente, é enganada por elas.</p>
<p>Em termos de proteção ao oceano, sobretudo no que diz respeito à exploração de petróleo, estamos à deriva.</p>
<p>As manchas de óleo eram apenas de jet-sky? Como se a vida marinha preferisse manchas de jet-sky ou do vazamento da Chrevon, a verdade é uma só: não há fiscalização adequada.</p>
<p>Vamos devastando o oceano Atlântico com a mesma ferocidade que devastamos a mata atlântica, processo amplamente descrito no livro de Warren Dean.</p>
<p>Minc tem um papel nisso. Foi ministro, é secretário, vive no Rio onde se dá a intensa exploração de petróleo. Vamos contar com ele para pressionar .</p>
<p>Embora aconteça no litoral do Rio, esse processo de descaso é um problema para todo o Brasil. Como os oceanos não se limitam aos limites abstratos das águas territoriais, breve a exploração de petróleo brasileira pode ser estigmatizada no mundo.</p>
<p>Hoje, ninguém se pergunta de onde vem o óleo, se de ditaduras sangrentas ou países que desprezam a proteção ambiental. Mas isso pode mudar, na medida em que carros a álcool, elétricos, movidos solar ou a hidrogêneo, começarem a se impor no mercado. O petróleo não será mais a única opção.</p>
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		<title>Despedidas do aprendiz</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 17:50:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[São Gabriel da Cachoeira -  Cada um encontra seu jeito de ser feliz. Um dos meus é navegar nos rios do Brasil com uma velha cadeira plástica de espaldar para proteger as costas no longo percurso. Mencionei a Cabeça do Cachorro, forma da região no mapa do Brasil, porque sou fascinado por palavras. O Rio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/menino_negro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7730" title="menino_negro" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/menino_negro.jpg" alt="" width="640" height="397" /></a></p>
<p>São Gabriel da Cachoeira -  Cada um encontra seu jeito de ser feliz. Um dos meus é navegar nos rios do Brasil com uma velha cadeira plástica de espaldar para proteger as costas no longo percurso.</p>
<p>Mencionei a Cabeça do Cachorro, forma da região no mapa do Brasil, porque sou fascinado por palavras. O Rio Negro é o centro de tudo na região. Quando apresentei um projeto separando o Pantanal do Mato Grosso, sonhava com um Comitê de Bacia, como forma de governo.</p>
<p>Desde que legitimado, creio que um Comitê de Bacia talvez fosse o único instrumento capaz de achar um futuro estável para o Rio Negro.</p>
<p>Águas negras, margens verdes, ainda assim não é monótono navegar no rio. Cruzamos com famílias inteiras descendo para São Gabriel. Essas águas dissolveram muito sangue no passado. Os índios foram obrigados a descer o rio, pelos colonizadores, produtores de borracha, enfim todos  que precisavam de mão de obras.</p>
<p>Não há mosquitos e os poucos peixes se abrigam nos igapós, florestas semi-submersas, onde encontram alimentos. As águas do Negro são ácidas.</p>
<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/macarico.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7729" title="macarico" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/macarico.jpg" alt="" width="640" height="440" /></a></p>
<p>Poucos pássaros no trechos em que naveguei. Cruzamos com dois maçaricos, mas eles pareciam descansar numa pedra, prontos para seguir seu vôo.</p>
<p>Visitei uma comunidade na Ilha das Flores. Estavam reconstruindo a igreja, à espera do padre. Sentem-se abandonados. Seu centro cultural está em pedaços. Assim mesmo, há cursos fundamental e básico. Cheguei no último dia de aula, daí a concentração no reparo da igreja.</p>
<p>Há 23 etnias no Negro. Falam-se quatro idiomas maiores, mas há mais de 20 variações, segundo os lingüistas que trabalham por aqui.</p>
<p>A acidez do rio dificulta a agricultura. Você sente pela relativa pobreza da feira de São Gabriel, onde so os peixes se destacam. E uma fruta negra chamada cucuru, que parece jabuticaba.</p>
<p>Consegui colocar alguma coisa quando a internet estava distraída. De um modo geral, a conexão é muito ruim. Encerro os comentários de aprendiz nesse fim de semana.</p>
<p>Ainda pretendo escrever um artigo sobre a fronteira e estratégia para Estadão. Produzi algumas fotos pensando em jornal. Vou mostrar a viagem num diário visual no meu site.</p>
<p>Há muito material, anotações: é hora de estudar. Se pudesse, passaria meses vagando pelos rios amazônicos e do pantanal.</p>
<p>O Rio Negro é um mundo onde tudo se faz de barco. Ao contrário das cidades, movidas por Volks, Fords e Fiats, aqui tudo se move a Yamahas e Johnsons. Vi adolescentes indígenas divertindo-se com as garotas no barco, como os da cidade nos carros.</p>
<p>Finalmente, visitei uma cidade chamada chamada São Joaquim. Totalmente deserta com duas ruas de casas vazias.Dizem que só os índios  vêem para uma festa do padroeiro e para enterrar seus mortos.</p>
<p>Quando morre alguém improvisam uma explosão, usando um cano velho e pólvora. Quando ouvem o barulho é como se os sinos dobrassem numa cidade branca.</p>
<p>Essa conversa foi longe demais. Quando o Estadão publicar o artigo, no caderno Aliás, deixo um aviso no blog.</p>
<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/bananeira1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7731" title="bananeira1" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/bananeira1.jpg" alt="" width="640" height="427" /></a></p>
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		<title>Fronteiras e favelas, uma solução brasileira</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44982/fronteiras-e-favelas-uma-solucao-brasileira/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 00:37:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando lemos que a Cabeça do Cachorro é uma região com 200 mil km2, duas fronteiras, 23 etnias, onde se falam quatro línguas, pensamos: o Exército cuida. De fato, com a ajuda da Aeronáutica, o Exército percorre os rios com as Embarcacões Patrulhas de Grupo, conhecidas como voadeiras, e mantém sete postos avançados na fronteira. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/soldados_cachorro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7723" title="soldados_cachorro" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/soldados_cachorro.jpg" alt="" width="640" height="427" /></a></p>
<p>Quando lemos que a Cabeça do Cachorro é uma região com 200 mil km2, duas fronteiras, 23 etnias, onde se falam quatro línguas, pensamos: o Exército cuida.</p>
<p>De fato, com a ajuda da Aeronáutica, o Exército percorre os rios com as Embarcacões Patrulhas de Grupo, conhecidas como voadeiras, e mantém sete postos avançados na fronteira.</p>
<p>Dentro dos seus limites, compartilha a energia dos postos com as comunidades e, no campo da saúde, administra um hospital em São Gabriel que é limpo, eficaz e bem equipado.</p>
<p>No entanto, faltam clínico geral e especialista, o que, numa cidade 40 mil habitantes, traz a necessidade de remoção  aérea para Manaus. Quem paga os R$30 mil do avião?</p>
<p>A Prefeitura vive uma inadimplência radical. Dizem na cidade que a própria empresa Tanaka, que faz a linha de barco Manaus, não lhe dá crédito par ir, pessoalmente, à capital.</p>
<p>O Distrito Sanitário Indígena, que hoje é da Funai, não tem dinheiro. Seus funcionários fizeram greve por três meses. O máximo que conseguem é computar mortes e nascimentos.</p>
<p>A ausência do governo faz com que as tensões comunitários se concentrem no Exército. É um pouco parecido com as favelas do Rio, ocupadas pelas UPPs.</p>
<p>A diferença, nos sete postos avançados, é que os militares levam suas famílias. Mas quando o rio baixa e há dificuldades de energia, eles são apontados como os responsáveis pelo racionamento.</p>
<p>São Gabriel tem apenas dois agentes da Polícia Federal. Possivelmente, o Plano Estratégico das Fronteiras vai ampliar o número. Mas até o momento não saiu do papel.</p>
<p>Comparando fronteiras e favelas, a solução brasileira revela que o dinheiro mal dá para a segurança. O resto? A segurança que se vire.</p>
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		<title>Cabeça do cachorro e pulo do gato</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 19:27:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[São Gabriel da Cachoeira – Acabo de voltar de uma curta viagem no Rio Negro. Indescritível. Pelo menos, no momento. Ontem, tentei passar um mísero email nas duas lan houses da cidade. Não consegui. A conexão é super lenta. `As vezes, parece que vai, mas cai. Essas lan houses funcionam para os garotos jogarem vídeo-game, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/menino_rio.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7719" title="menino_rio" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/menino_rio.jpg" alt="" width="640" height="548" /></a></p>
<p>São Gabriel da Cachoeira – Acabo de voltar de uma curta viagem no Rio Negro. Indescritível. Pelo menos, no momento.</p>
<p>Ontem, tentei passar um mísero email nas duas lan houses da cidade. Não consegui. A conexão é super lenta. `As vezes, parece que vai, mas cai.</p>
<p>Essas lan houses funcionam para os garotos jogarem vídeo-game, nada mais. São escuras e com computadores muito velhos, ancestrais.</p>
<p>São Gabriel é a cidade mais importante da Cabeça do Cachorro, a área de 200 mil km2 na região que faz fronteira com a Colômbia e Venezuela. A cidade é a mais importante do Rio Negro, uma espécie de capital para Barcelos e Santa Isabel.</p>
<p>O ideal aqui era ter uma cidade inteligente, dessas que a IBM faz em lugares com visibilidade. Fica caro para o governo, mas, estrategicamente, compensa.</p>
<p>Há muito interesse pela conexão. Dona Marta, uma cozinheira do restaurante da praia, fecha o lugar às três em ponto para tomar aulas de informática.</p>
<p>Há prioriades maiores aqui. Energia elétrica por exemplo. Nos Pelotões Especiais da Fronteira, quando o rio baixa, é um problema. A comunidade quer energia e ela exige que o Exército resolva o problema.</p>
<p>Bujões de gás por exemplo, não podem subir de avião. Para levá-los de barco, às vezes, é preciso enfrentar nove cachoeiras. Isto quer dizer: retirar o motor do barco e carregar os dois nas costas durante um bom trecho.</p>
<p>Amanhã visitarei o Exército aqui. Infelizmente não encontrarei o comandante, General Jaborandi, de quem tenho excelente impressão da experiência em Brasília.</p>
<p>Mando uma pequena foto e nem o selo da série de blogs posso postar, para não pesar o arquivo.</p>
<p>Vida dura. Mas a subida do Rio Negro compensa todas as dificuldades. Um dia a mostrarei em detalhes.</p>
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		<title>Entre a terra e o mar</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44919/entre-a-terra-e-o-mar/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 12:44:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Petrobras]]></category>
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		<description><![CDATA[Dizem alguns historiadores que os chineses, há muitos séculos, achavam que o oceano era uma imensidão estéril. Fecharam-se na terra, perderam o contato com inúmeras inovações técnicas no Ocidente. Isso lhes valeu derrotas e longos anos de sofrimento. Num país colonizado pelos portugueses, é difícil subestimar o oceano. No poema Mar Português, de Fernando Pessoa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7713" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/oceanos_640px.jpg"><img class="size-full wp-image-7713" title="oceanos_640px" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/oceanos_640px.jpg" alt="" width="640" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração: Cadu Tavares</p></div>
<p>Dizem alguns historiadores que os chineses, há muitos séculos, achavam que o oceano era uma imensidão estéril. Fecharam-se na terra, perderam o contato com inúmeras inovações técnicas no Ocidente. Isso lhes valeu derrotas e longos anos de sofrimento. Num país colonizado pelos portugueses, é difícil subestimar o oceano. No poema Mar Português, de Fernando Pessoa (&#8220;tudo vale a pena se a alma não é pequena&#8221;), os versos iniciais, menos conhecidos, são também emblemáticos: &#8220;Ó mar salgado, quanto do teu sal/ são lágrima de Portugal!&#8221;. Com a descoberta de petróleo na costa brasileira e, agora, as grandes reservas das camadas do pré-sal, o Brasil está diante de uma histórica opção diante do oceano.</p>
<p>O debate que se travou em torno dos royalties foi, na verdade, uma grande revelação. Os interlocutores querem definir como empregar o dinheiro. Estados, municípios, estudantes, todos têm uma fórmula para dividir os recursos do petróleo. O oceano passou a ser visto como uma galinha dos ovos de ouro. Discutimos, diante do petróleo marinho, com a excitação com que algumas famílias debatem o testamento de um tio bilionário.</p>
<p>Nasce aí a primeira cilada: supor que o oceano é apenas um imenso poço de petróleo, ignorando a diversidade da vida marinha e o outros potenciais econômicos que a própria biotecnologia pode desenvolver. O perigo dessa cilada é evidente em todas as declarações de alívio, porque o óleo vazado nas instalações da Chevron, na Bacia de Campos, se afastava do litoral. Sem dúvida, os prejuízos são maiores quando a mancha ruma para a praia. Mas não significa que seja totalmente inofensiva em mar alto.</p>
<p>O oceano não é uma cloaca. Ou, pelo menos, não deveria ser. Tartarugas recolhidas pelo Projeto Tamar revelam o estômago forrado de plástico, mergulhadores na Baía de Guanabara recolhem de tudo, de fogão à velha geladeira.</p>
<p>A faixa onde se vai explorar o pré-sal é rota de passagem da maioria das espécies em extinção no mar brasileiro. E o desastre da Chevron não mostrou apenas que estamos despreparados, mas também por que estamos despreparados. O Brasil só se preocupa com desastres quando eles acontecem. Nos primeiros anos do século, ante o vazamento na Baía de Guanabara e outros acidentes menores, a Petrobrás investiu R$ 1,4 bilhão num plano de emergência chamado Pegaso. A empresa ficou tão interessada no tema que mandou uma equipe para estudar o desastre na Galícia, aproveitar a experiência no Brasil.</p>
<p>A explosão na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, apresentou uma novidade bem diferente da encontrada em vazamentos de navios. Para estes uma solução é o projeto da obrigatoriedade do casco duplo, fórmula que, na maioria dos casos, impede que o óleo derrame no mar. O desastre com a Horizon mostrou que os mecanismos de controle do governo, mesmo o americano, são frágeis. Aumentou a capacidade técnica das empresas em comparação à capacidade de fiscalizar do governo. A Marinha americana não tinha condições técnicas para entender e reparar por si mesma o caos na plataforma.</p>
<p>Vivemos uma experiência semelhante no Brasil, quando tentamos criar algumas normas para um mecanismo chamado estocagem de carbono, no fundo do mar ou nas rochas. Quase nenhum Parlamento do mundo avançou nesse campo porque a técnica, basicamente, é dominada pelas empresas interessadas.</p>
<p>Diante do desastre o Golfo do México, o Brasil reagiu. Mas reagiu apenas no tempo em que o assunto estava em cartaz. A ideia de um plano nacional de emergência não saiu do papel.</p>
<p>Sempre se pode afirmar, como o fez a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, que o desastre da Chevron não foi assim tão grande, logo, não era caso de acionar um plano nacional. Mas se nos planos simulamos com desastres inventados, por que não usar um desastre real para ensaiar?</p>
<p>Não houve transparência no caso da Chevron. Anunciado discretamente no dia 10, só uma semana depois o episódio saiu do anonimato. A dimensão do vazamento foi monitorada por uma ONG nos Estados Unidos, a SkyTruth. A transparência é fundamental se queremos mobilizar voluntários e realmente dar uma chance de defesa aos pescadores e comunidades litorâneas.</p>
<p>No ano que vem vamos discutir na Rio+20, entre outros temas, a economia verde. Mas a ONU lembra que é preciso também discutir a economia azul, talvez mais preocupada com a pesca e alimentos. Os oceanos podem dar muito mais. E, além disso, as correntes marinhas são um ponto de referência nas mudanças climáticas: quebrada a sua regularidade, as do processo de aquecimento tornam-se mais perigosas.</p>
<p>Não é grave apenas a falta de um plano nacional de emergência. É grave também todo o despreparo institucional para administrar os problemas no oceano. Falta uma política para o mar, algo que escapou até à maioria dos militantes verdes, concentrados na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica. O Brasil prepara-se para tensionar o Oceano Atlântico com intensa exploração do petróleo e, em vez de examinar, mais amplamente uma economia azul, perdeu-se num só tema.</p>
<p>Enquanto discutimos para onde vão os ovos de ouro, poucos se dão conta de que estamos, lentamente, matando a galinha. Alguns prefeitos, de forma caricata, chegaram a ligar para deputados quando se discutia o pré-sal: &#8220;Quando vem o dinheiro? Já existe algum para nós?&#8221;</p>
<p>Grande parte dos biólogos marinhos trabalha hoje para as empresas de petróleo. Os avanços da Petrobrás na gestão de desastres poderiam inspirar até a criação de uma empresa brasileira para atender os desastres no continente. Mas há diferenças entre empresa e país. Ignorá-las significa que não é preciso fiscalizar o estágio atual de seu plano de emergência, os problemas trabalhistas na Bacia de Campos, os acidentes sofridos pelos petroleiros.</p>
<p>O vazamento da Chevron foi um alerta. Fernando Pessoa, num de seus versos, fala de uma alma atlântica. Se isso existe, parece que não a herdamos. Os royalties ofuscaram o oceano.</p>
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		<title>No extremo do Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 23:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[São Gabriel da Cachoeira &#8211; Foi uma linda viagem de Manaus até aqui. Tirei uma pequena câmera da bolsa, esperando fotografar os índios que voltavam. São Gabriel tem 95 por cento de índios. Hoje, no entanto, só vieram militares, antropólogo, técnicos da campanha contra malária. O Rio Negro, perto de Barcelos, onde o avião da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[São Gabriel da Cachoeira – Foi uma linda viagem de Manaus até aqui. Tirei uma pequena câmera da bolsa, esperando fotografar os índios que voltavam. São Gabriel tem 95 por cento de índios.

Hoje, no entanto, só vieram militares, antropólogo, técnicos da campanha contra malária. O Rio Negro, perto de Barcelos, onde o avião da Trip faz escala, tornou-se a grande atração.

&nbsp;

<img class="size-full wp-image-4914" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/no-extremo-do-brasil.jpg" alt="" width="640" height="335" />
<p class="wp-caption-text">Perto de Barcelos, praias brancas começam a aparecer.</p>
&nbsp;

Suas famosas praias brancas, pareciam mais brancas ainda ao sol da manhã. Mudei alguns planos, não estou no hotel Deus me Deu, nem voltarei de barco.

Vou tentar usar barco nesses dias, com ajuda de gente local. Assim, será possível visitar comunidades, parar com calma.

Pretendo também visitar o Exército e se houver uma carona da FAB chegar aos pelotões na selva. De barco são dias de viagem rio acima. Bem que gostaria, mas não tenho essa autonomia toda.

Outra limitação aqui é a internet. Mais de um mega, nem pensar. Ainda assim tentarei enviar alguma coisa. Pelo menos uma foto por dia, na melhor das hipóteses três.

Minha primeira manhã foi nublada, com raríssimos momentos de sol. Estou perplexo com pássaros e flores que vejo pela primeira vez.

No aeroporto havia índios e militares, algumas crianças filhas de militares com índias. No Instituto Sócio Ambiental há uma pequena mas substancial biblioteca sobre a vida no Rio Negro.

Tentarei ler, durante a chuva. Fora dela, fica difícil. Só quando voltar poderei me dedicar ao estudo mais tranqüilo.

Por falar nisso, a chuva passou e os galos estão cantando. Será que entenderam que vai amanhecer?

<img class="aligncenter size-full wp-image-7710" title="japi" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/japi.jpg" alt="" width="600" height="640" />

Uma índia me disse que esse pássaro se chama Japi

&nbsp;]]></content:encoded>
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		<title>Falta de recursos e os soldados na selva</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44904/falta-de-recursos-e-os-soldados-na-selva/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 20:01:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fernando Gabeira]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[                  Manaus- Parto de madrugada para São Gabriel e devo voltar de barco. Dizem que a descida do Negro é mais interessante que a subida. Estadão publica hoje matéria que interessa ao meu projeto. Sem recursos suficientes, as Forças Armadas passam por um processo de sucateamento. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Manaus - Parto de madrugada para São Gabriel e devo voltar de barco. Dizem que a descida do Negro é mais interessante que a subida.

Estadão publica hoje matéria que interessa ao meu projeto. Sem recursos suficientes, as Forças Armadas passam por um processo de sucateamento.

É preocupante a notícia, quando se pensa no conjunto de pelotões especiais de fronteira. Na floresta, vivendo numa solidão espartana, esses pelotões precisam de apoio.

<p><img class="aligncenter size-full wp-image-7698" title="anapu1" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/anapu1.jpg" alt="" width="500" height="376" />

<center><em>Exército em Anapu,após a morte de Dorothy Stang. (foto FG)</em></center></p>

Normalmente, o governo sabe disso e faz tudo para atenuar a aridez do trabalho. Mas os pelotões dependem dos voos da FAB,  cada componente  de uma obra chega de avião, do tijolo ao prego.

Num momento desses,  a tendência é cortar voos, mas espero que haja exceção na Amazônia. Os aviões de FAB são uma alegria para quem está na floresta e uma esperança de carona para os índios que precisam vir à cidade.

Nas regiões de conflito na Amazônia, onde aconteceram crimes de repercussão(Chico Mendes, Dorothy Stang) o problema é a terra.

No alto Rio Negro o problema, no princípio, era a mão de obra. Os portugueses faziam expedições para capturar os índios.

Hoje, índios e Exército estão unidos numa combinação virtuosa, da técnica militar com o conhecimento do terreno. Mas recursos e equipamentos também são essenciais.

A região da Cabeça do Cachorro no extremo noroeste do pais é uma tríplice fronteira(Brasil, Colômbia, Venezuela) e a partir da amanhã espero estar escrevendo da lan house que fica embaixo do hotel Deus Me Deu, meu endereço em São Gabriel.

<p><img class="aligncenter size-full wp-image-7700" title="blogtrombeta" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/blogtrombeta1.jpg" alt="" width="500" height="346" />

<em><center>Paisagem no Trombetas. (foto FG)</em></center></p>]]></content:encoded>
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		<title>De novo a Amazônia</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44905/de-novo-a-amazonia/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 10:14:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Gabeira]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[De novo na estrada, desta vez em viagem para a Amazônia. Meu objetivo é a região chamada Cabeça do Cachorro, no extremo noroeste do Amazonas. A região foi tema de um belo livro de Araquém  Alcântara e Dráuzio Varela. Ela se chama Cabeça do Cachorro porque demarca dos limites do Brasil com a Colômbia e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[De novo na estrada, desta vez em viagem para a Amazônia. Meu objetivo é a região chamada Cabeça do Cachorro, no extremo noroeste do Amazonas.

A região foi tema de um belo livro de Araquém  Alcântara e Dráuzio Varela. Ela se chama Cabeça do Cachorro porque demarca dos limites do Brasil com a Colômbia e Venezuela e a linha da fronteira no mapa parece a cabeça de um cachorro.

Trata-se de uma área de 200 mil quilômetros quadrados, com mais ou menos 40 mil pessoas. Já a visitei com  a ajuda do Exército. Mas preciso voltar a ela, porque quero aprender mais sobre as fronteiras do Brasil.

<img class="size-full wp-image-4888" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/de-novo-a-amazonia.jpg" alt="" width="450" height="375" />
<p class="wp-caption-text">Cabeça do Cachorro, em ilustração de Cadu Tavares</p>
Se tudo certo, com o tempo visitarei novas fronteiras e farei um trabalho mais amplo. Por enquanto, pretendo publicar um texto no Estadão e continuar pesquisando.

Fiz muitas viagens à Amazônia, algumas para enterrar defensores da floresta, como Chico Mendes e Dorothy Stang. Mas cada vez que vou percebo como é preciso conhecer um pouco mais o território e as pessoas.

<img class="size-full wp-image-4889" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/blogtrombeta.jpg" alt="" width="500" height="346" />
<p class="wp-caption-text">Um casal ribeirinho no rio Trombetas.(foto FG)</p>
Viagens ao Xingu e ao Trombetas, onde fui para documentar a reprodução das tartarugas, foram muito interessantes no passado.

Da mesma forma, Xapuri e Anapu, onde morreram Chico e Doroty, foram esclarecedores sobre as violentas reações às mudanças no trato com a floresta.

Desembarco na cidade de São Gabriel da Cachoeira, onde 90 por cento da população é de indígenas. Na região, há 23 etnias e falam-se quatro línguas: português, nheengatu(inspirada no tupi),tucano e baniwa.

<img class="size-full wp-image-4890" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/tiojarrao.jpg" alt="" width="500" height="319" />
<p class="wp-caption-text">Uma das faces no Xingu, em dia de Quarup.(foto FG)</p>
Durante este período de viagem, dificilmente poderei comentar os acontecimentos. Há conexão de internet, mas passarei o dia trabalhando em lugares remotos e só voltarei a São Gabriel ao anoitecer.

O blog, nesse período, terá o foco no aprendizado da viagem.]]></content:encoded>
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		<title>Uma chance ao azul</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44906/uma-chance-ao-azul/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 11:20:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o vazamento da Chevron na Bacia de Campos, o Brasil descobriu que não tem um plano de contingência contra desastres . Nossa tendência é discutir o tema no momento dos desastres e esquecê-lo quando a situação se acalma. No princípio do século, apos o desastre de 2000, a Petrobrás avançou muito na sua preparação. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o vazamento da Chevron na Bacia de Campos, o Brasil descobriu que não tem um plano de contingência contra desastres .</p>
<p>Nossa tendência é discutir o tema no momento dos desastres e esquecê-lo quando a situação se acalma.</p>
<p>No princípio do século, apos o desastre de 2000, a Petrobrás avançou muito na sua preparação. Foram investidos R$1,4 bilhão e criou-se um plano chamado Pegaso, Programa de Excelência na Gestão Ambiental.</p>
<img class="size-full wp-image-4883" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/uma-chance-ao-azul.jpg" alt="" width="640" height="480" /><p class="wp-caption-text">Uma voluntária no desastre com o navio Prestige,na Galícia.(foto FG)</p>
<p>Quando houve o desastre na Galícia, resolvi ver de perto. Encontrei uma equipe daa Pebrobrás, que tinha o mesmo objetivo.</p>
<p>Naquela época, cheguei a sugerir que a Petrobrás criasse uma empresa de segurança, para atender a desastres na América Latina. Seria uma forma de atenuar os custos do Pegaso e, além disso, preenchia uma lacuna.</p>
<p>Com o desastre no Golfo do México, o Brasil despertou para a necessidade de um plano nacional. Formou-se um grupo de trabalho mas ele não prosperou porque envolvia vários ministérios.</p>
<p>A Ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, afirma que não houve problemas com a falta de um plano, pois o desastre da Chevron foi pequeno.</p>
<p>Há alguns problemas nesse argumento. O primeiro é quanto à dimensão. Os americanos consideram grande um vazamento de mais dois mil barris diários, segundo a ONG Skytruth.</p>
<p>Mesmo se o desastre não tivesse sido grande, foi uma excelente oportunidade para treinamento. Esses desastres demandam coordenação, envolvem a sociedade, como mostraram os voluntários na Galícia Em síntese, precisam até de simulações para funcionar bem.</p>
<p>O quesito transparência, para envolver a sociedade, é fundamental. Quem cuidou da transparência no Governo? Não havia informações corretas, periódicas e confiáveis sobre o vazamento da Chevron.</p>
<p>O Brasil poderia ter sido mais rápido na resposta. O que Lobão, Ministro da Energia, fez todo o tempo foi minimizar o impacto do vazamento. Lobão é o Lobão, Lupi é Lupi. Nem as questões de segurança nem as do trabalho, cheio de irregularidades na Bacia, poderão ser resolvidas por esses personagens de fábula..</p>
<p>Conseguimos, os interessados na segurança do oceano, introduzir na lei do pré sal uma cota de 3 por cento dos royalties para a proteção . Mas o debate foi pobre em tudo, menos na questão dos royalties.</p>
<p>No fundo, ainda vemos a imensidão azul como uma cloaca que recebe todo tipo de lixo ou como um eldorado que produz riquezas. A vida mesmo, e as verdadeiras riquezas do oceano continuam ocultas.</p>
<p>É uma ilusão, apesar do mar territorial, achar que estas coisas não repercutem no mundo, que nossas águas não se comunicam com outras, que não existe movimento das correntes, algo essencial para quem queira entender  o futuro do processo de aquecimento global. Quando as correntes forem perturbadas, aí começa uma nova fase de perigo para todos.</p>
<p>O movimento ecológico, pela presença da floresta amazônica, a devastação da Mata Atlântica, fixou-se no verde. No momento em que começam a explorar o pré-sal é preciso dar uma chance ao azul.</p>
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		<title>A garça e o homem da garça</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 14:27:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Numa semana de farsas políticas em Brasília e vazamento de óleo em Campos, não posso apenas divagar. O post sobre a Chevron vai abaixo. Mas como hoje é sábado posso contar a história de uma garça que conheço. Ela é minha modelo, mas não há nada de pessoal nisso. Está sempre pronta para todas as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/gar%C3%A7aexport.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7649" title="garçaexport" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/gar%C3%A7aexport.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Numa semana de farsas políticas em Brasília e vazamento de óleo em Campos, não posso apenas divagar. O post sobre a Chevron vai abaixo.</p>
<p>Mas como hoje é sábado posso contar a história de uma garça que conheço. Ela é minha modelo, mas não há nada de pessoal nisso. Está sempre pronta para todas as câmeras, inclusive a dos celulares.</p>
<p>O único homem que interessa a esta garça é o pescador Severino, que fica na entrada do clube Piraquê. Senta-se no mesmo banco, todos os dias, e tece sua rede.</p>
<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/gar%C3%A7aseverino.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7650" title="garçaseverino" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/gar%C3%A7aseverino.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Severino, assim como o consertador de rádio, é um dos poucos que têm lugar fixo. Embora se dedique às redes, sempre pesca alguma coisa e dá à garça.</p>
<p>Ela se acostumou ao vê-lo chegar voa para o banco e fica ali até ir embora. Inclusive na saída, caminha com ele alguns metros, para se despedir.</p>
<p>Severino andou tendo problemas em casa e passa a maior parte do tempo na Lagoa. Ele tem um método de pescar siris com um saco de plástico e oferece à garça um menu mais amplo do que as savelhas.</p>
<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/siriman.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7651" title="siriman" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/siriman.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Severino andou repreendendo a garça ao descobrir que ela também come pomba rola, o que lhe pareceu uma barbaridade.</p>
<p>A garça as vezes voa quando sente a presença muito próxima das bicicletas ou dos corredores. Mas sempre volta ao mesmo lugar, ao pés de Severino.</p>
<p>Severino sai todos os dias de casa para encontrar a garça e ela deixou sua espécie para viver ao lado dele, pelo menos durante o dia.</p>
<p>Amigos, em tempos dificeis para amizades permanentes, Severino e a garça conseguem sobreviver juntos numa metrópole hostil a garças e pescadores.</p>
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		<title>Chevron não é primária</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44707/chevron-nao-e-primaria/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 14:14:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[A Chevron, empresa responsável pelo derramamento de óleo na Bacia de Campos não começou agora em lutas judiciais. Ela foi condenada no Equador a pagar multa de R$9 bilhões por poluir a floresta amazônica. É a segunda grande multa da história, pois a BP se prontificou a pagar US$20 bilhões pelos estragos no Golfo do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/animais_vazamento.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7642" title="animais_vazamento" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/animais_vazamento.jpeg" alt="" width="640" height="312" /></a></p>
<p>A Chevron, empresa responsável pelo derramamento de óleo na Bacia de Campos não começou agora em lutas judiciais.</p>
<p>Ela foi condenada no Equador a pagar multa de R$9 bilhões por poluir a floresta amazônica. É a segunda grande multa da história, pois a BP se prontificou a pagar US$20 bilhões pelos estragos no Golfo do México.</p>
<p>A disputa entre Equador e Chevron acontece também nas cortes americanas. Se o Brasil quiser fazer alguma coisa, vai precisar se basear muito bem, para que o processo não seja neutralizado</p>
<p>A Chevron é acusada também de financiar o terrorismo em Angola, violar a Lei do Ar Limpo nos Estados Unidos e destruir florestas em Bangladesh.</p>
<p>No momento em que o Brasil fala em multar e investiga a ação da Chevron é importante saber que a empresa tem experiência em ações judiciais e alguns dos melhores advogados americanos.</p>
<p>É bom que o governo brasileiro fale em multa. Mas não é bom que o governo brasileiro fale apenas em multa. Onde está o plano de contigência, como reagimos a esse desastre, quais são as perspectivas reais de fiscalização da atividade na Bacia?</p>
<p>Jornais disserram que a Chevron contrata estrangeiros irregularmente na Bacia de Campos. É um caso antigo, já fizemos inúmeras comissões para examinar este problema. Não é só a Chevron que faz isso. Parece que há algo errado entre o ritmo buocrático e a da exploração do petróleo.</p>
<p>Era preciso um tratamento mais amplo do problema. Quem sabe o ministro Lupi resolva? Com um par de mentiras e algumas bravatas, ele consegue tudo.</p>
<p>A PF contratou um excalente oceanógrafo como perito, David  Zee. Mas é preciso gente que entenda da produção e seja independente. Procurá-los na Petrobrás não vale. Ela é sócia do empreendimento. A Chevron está respondendo porque tem maioria nas ações.</p>
<p>O pré sal até agora só tem suscitado discussões sobre o destino do dinheiro. Muitos prefeitos, no final da elaboração do projeto, chegaram a telefonar para deputados, perguntando se já havia o dinheiro.</p>
<p>Foi um comportamento caricato mas diz muito sobre nossa cultura política. Briga-se em torno do dinheiro e dorme-se na hora de preservar o meio ambiente.</p>
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		<title>Economia azul</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44645/economia-azul/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 11:20:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estive em São Paulo, participando de um seminário sobre a Rio+20, conferência internacional que será realizada em 2012. O seminário foi realizado pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). Não dá para sintetizar os debates, mas lembrei que a pauta da reunião  do Rio prevê um foco não só sobre a economia verde como também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/golfinhos_noronha.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7635" title="golfinhos_noronha" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/golfinhos_noronha.jpg" alt="" width="640" height="404" /></a></p>
<p>Estive em São Paulo, participando de um seminário sobre a Rio+20, conferência internacional que será realizada em 2012. O seminário foi realizado pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).</p>
<p>Não dá para sintetizar os debates, mas lembrei que a pauta da reunião  do Rio prevê um foco não só sobre a economia verde como também  sobre a economia azul.</p>
<p>Os oceanos têm um enorme potencial ainda não de todo estudado. E o desastre na Bacia de Campos deveria nos levar a algumas perguntas fundamentais.</p>
<p>Uma delas é sobre os riscos da intensa busca por petróleo. O geólogo John Amos, da ONG americana SKyTtruth também chamou a atenção para esse perigo. Foi sua organização que disse, pela primeira vez, que o vazamento no Golfo do México era maior do que a BP reconheceu.</p>
<p>Baseado em imagens de satélite, o instrumento mais adequado, quando não há muitas nuvens, para avaliar essas manchas, John Amos afirma que o vazamento no Campo do Frade, em Campos, é de 3.738 barris por dia.</p>
<p>Sua avaliação coincide, mais ou menos, com a da ANP que calcula em 3,3 mil barris dia o petróleo que está vazando do poço da Chevron para o mar.</p>
<p>O período do acidente não é  favorável porque passam pela costa do Rio, a partir do principio de dezembro, as baleias jubarte, minke-anã e os golfinhos, todos em busca de água quente para se reproduzir.</p>
<p>O acidente começou no dia 9 e o noticiei aqui no texto sobre a manifestação pelos royalties do petróleo. Uma ONG americana estava monitorando por satélite, mas aqui no Brasil estava tudo muito calmo, como se não houvesse nada.</p>
<p>O delegado da Policia Federal, Fábio Scliar vai fazer o inquérito. Suspeito que vá encontrar algumas dificuldades, típicas desse tipo de acidente: informações desencontradas e dificuldade de avaliar com técnicos independentes o que está se passsando no poço.</p>
<p>A previsão é de que será fechado em uma semana. Isso dito pela Chevron. Esta previsão, para ser avaliada, pede conhecimentos técnicos, assim como a tática para fechar o poço.</p>
<p>Tanto a burocracia ambiental como os políticos não têm o mesmo conhecimento  das empresas. Nos Estados Unidos, até a Marinha declarou-se incapaz de fechar o poço na  plataforma Deep Water Horizon, da BP.</p>
<p>Num momento em que o Brasil vive a euforia do petróleo, com a descoberta do pré-sal, será essencial um debate sobre a segurança dessas instalações. Com a experiência de alguns desastres ambientais, acho que num teste não passamos bem: a reação inicial do pais foi lenta e a transparência nos primeiros oito dias de vazamento  foi mínima. Em síntese, o plano de contingência não apareceu.</p>
<p>As notícias de que a mancha tinha 63 km2 não se confirmaram. E acredito, pelo que vi no sobrevoo de helicóptero de uma equipe de tevê, que as informações da Chevron sobre sua dimensão estão mais próximas da realidade.</p>
<p>No entanto, a diferença entre o que a empresa admite como vazamento diário, 600 barris, e o volume aferido por imagens de satélite, 3738 barris, é muito grande.</p>
<p>Quanto mais precisas as informações, melhor. O óleo está indo para alto mar, mas é uma ilusão supor que o alto mar seja blindado ou que possa funcionar como uma gigantesca lixeira. Além disso, naquela região existem, segundo Carlos Minc, possibilidade de uma rotação das correntes e através dela a mancha atingir o litoral de Búzios e Rio das Ostras.</p>
<p>Neste lugar, Rio das Ostras,  a Marinha tem um centro que pesquisa  e um pequeno museu que mostra o funcionamento dos oceanos.</p>
<p>Em Rio das Ostras acontece o fenômeno único da ressurgência, encontro das águas quentes que vêm do norte com as águas frias que vêm do sul. O encontro provoca uma subida de nutrientes que atrai a biodiversidade.</p>
<p>Búzios é um centro de turismo. Mas no momento, o perigo de a mancha atingir o litoral é pequeno, embora o monitoramente tenha de ser constante.</p>
<p>No Golfo do México, os prazos anunciados para o conserto estouraram várias vezes. O delegado Fábio Scliar merece uma boa ajuda. Não se trata de desconfiar da Chevron. Mas a prática internacional costuma ser  de uma avaliação técnica independente.</p>
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		<title>Vazamento na Bacia de Campos sai do anonimato</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44646/vazamento-na-bacia-de-campos-sai-do-anonimato/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 13:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O vazamento de óleo na Bacia de Campos quase passa batido na sua primeira semana. Imprensa, deputados e especialistas não se interessaram tanto pela mancha de 63 km2 no litoral fluminense. O vazamento aconteceu no campo de Frade e, pela primeira vez, através da delegacia do Meio Ambiente da PF ficamos sabendo que a Chevron, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7629" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/vazamento_galicia.jpg"><img class="size-full wp-image-7629" title="vazamento_galicia" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/vazamento_galicia.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Vazamento de óleo na Galícia - 2009</p></div>
<p>O vazamento de óleo na Bacia de Campos quase passa batido na sua primeira semana. Imprensa, deputados e especialistas não se interessaram tanto pela mancha de 63 km2 no litoral fluminense.</p>
<p>O vazamento aconteceu no campo de Frade e, pela primeira vez, através da delegacia do Meio Ambiente da PF ficamos sabendo que a Chevron, empresa responsável pelo vazamento, talvez esteja escondendo dados importantes.</p>
<p>Leio que o secretário de Meio Ambiente do Rio, Carlos Minc vai sobrevoar a área amanhã. O governador Cabral. ainda nem tocou no assunto. Minc costumava ser mais rápido no gatilho.</p>
<p>O delegado da PF, Fábio Scliar, afirmou que, ao contrário do informado, o vazamento ainda não foi contido e que não viu uma frota de 17 navios trabalhando para conter a mancha, mas apenas um.</p>
<p>Pode ser que o vazamento seja mais grave, como suspeita o delegado. O que impressiona é como o Brasil é blasé. Em outros países, pelo menos as imagens seriam mostradas na televisão.</p>
<p>Aqui só  se lê a nota da Chevron. O Rio deveria se mexer mais porque está lutando pelos royalties do petróleo. Precisa mostrar que cuida do seu litoral e está atento. E o Brasil sinalizar com seriedade para quem vem explorar o pré-sal.</p>
<p>Ontem, a bancada do Rio no Congresso foi informada do vazamento. Uma comissão externa de deputados fluminenses, sem custos para o Congresso, deve ser formada.</p>
<p>Ouvi um locutor dizer, com alívio,  que houve o vazamento mas que a mancha estava se afastando do litoral brasileiro. Talvez tenha sido essa a causa do desinteresse &#8211; o rumo dos ventos.</p>
<p>Como se o mar territorial fosse um universo fechado e fora dele nada nos preocupa.</p>
<p>O Globo de hoje publica uma página inteira com as declarações do delegado e informa que a proprietária da plataforma da Chevron é a Transocean que esteve no centro do desastre da BP, no Golfo do México.</p>
<p>A esta altura, tanto a Chevron como a Transocean devem estar pensando como é mais fácil administrar um desastre num pais em que ninguém vai inspecionar o lugar imediatamente, que não divulga as imagens do poço, não rastreia o curso da mancha, nem examina como foi dada a licença ambiental. Ainda por cima é um país tropical, abençoado por Deus.</p>
<p>Toda essa celebração em torno do pré-sal só faz nos preocupar com o futuro do oceano brasileiro pois na faixa em que o óleo será explorado, circula a maioria das espécie em extinção em nossos mares.</p>
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		<title>Avião de Lupi abatido por um site em Grajaú</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44647/aviao-de-lupi-abatido-por-um-site-em-grajau/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2011 15:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fernando Gabeira]]></category>
		<category><![CDATA[José Dirceu]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando Dilma disse que o passado já passou, tinha um leve sorriso nos lábios. Ela sabia que Carlos Lupi continuaria sendo acusado de várias coisas pela imprensa e que o passado viria puxar sua perna. Essa foi minha leitura. Dentro do Palácio do Planalto, a capacidade de análise política não é das mais fortes. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/aviao2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7622" title="aviao2" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/aviao2.jpg" alt="" width="640" height="462" /></a></p>
<p>Quando Dilma disse que o passado já passou, tinha um leve sorriso nos lábios. Ela sabia que Carlos Lupi continuaria sendo acusado de várias coisas pela imprensa e que o passado viria puxar sua perna.</p>
<p>Essa foi minha leitura. Dentro do Palácio do Planalto, a capacidade de análise política não é das mais fortes. O que não desmerece a inteligência de cada um dos formuladores.</p>
<p>O que dificulta a fluidez do pensamento é o velho hábito de considerar tudo a partir da contradição. A contradição move o mundo, está presente até nas invisíveis frações de um átomo, afirmam os teóricos do passado.</p>
<p>O PT viu nas denúncias contra Lupi o adversário de sempre: as elites. E resolveu resistir porque está em luta com as elites e tudo o que acontece é uma expressão dessa luta.</p>
<p>Se substituirmos o termo elite, para imperialismo americano, veremos que Chavez usa o mesmo método, embora o presidente da Venezuela atravesse, com frequência, as fronteiras da paranoia, atribuindo aos americanos a capacidade de produzir terremotos.</p>
<p>Quando você se define pelos adversários, não importa quem sejam, gregos, romanos, ou vendedores de pamonha, o caminho do erro está pavimentado.</p>
<p>A presença de Lupi é insustentável porque ele não tem condições de ser Ministro do Trabalho. Ninguém afirmou o contrário. Lupi continuava apenas  como prova de resistência “ao golpe das elites”.</p>
<p>Foi este o tom dos discursos entre os jovens do PT, quando homenagearam o ex-Ministro José Dirceu, que, por sua vez, afirmou que as denúncias de corrupção são uma onda de moralismo.</p>
<p>O mesmo que Brizola disse sobre Lula, José Dirceu e seus companheiros, no passado: o PT é a UDN de macacão.</p>
<p>O Brasil perdeu um pouco o senso da realidade. Quando Lupi fez aquele cena na Câmara, para mostrar, que não conhecia o dono das ONGs,  Adair Meira, ele o fez de uma forma tão ostensiva, que levaria qualquer psicólogo de botequim a concluir que estava mentindo.</p>
<p>Lupi abriu um papel e nada viu nele. Em seguida, Lupi abriu outro papel, e nada viu. Voltou ao primeiro papel e perguntou: como é o nome dele? do senhor…? Adair.</p>
<p>Lupi estava fazendo um esforço extraordinário para se desvincular de Adair. Buscou seu nome nos papeis para mostrar que não o localizava nem em suas anotações. Em seguida, hesitou sobre o nome, como se fosse algo muito remoto para ele. E, finalmente, o chamou de senhor para simular distância.</p>
<p>Lupi queria bala, apareceu o Bala da Rocha, deputado do PDT: juntos legalizaram no Amapá sete sindicatos falsos, isto é de atividades que não existem no estado.</p>
<p>Surgiu a foto de Lupi no avião em Grajaú. Surgiu o vídeo de Lupi, no avião em Grajaú. É uma cidade do Maranhão que faz fronteira com o Piauí . Os dois estados  são separados ali pelo rio Gurgeia. Estive por lá, quando o vale do Gurgeia queria se separar do Piauí.</p>
<p>Grajaú é o Waterloo de Lupi e dos estrategistas do Planalto que o mantinham, como um fósforo frio, até a reforma de janeiro, para não capitularem diante da “elite golpista”.</p>
<p>O grande adversário, quase sempre, está dentro de nossas cabeças. Cada minuto de Lupi significa meses de desgaste. É pegar ou largar. De preferência, em Grajaú, no Maranhão.</p>
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		<title>Olha a República aí, gente</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 12:40:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Fernando Gabeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Aniversário da república, feriado. O ano passou como um trem bala. Daqui a pouco, a Conferência Rio+20 nos lembra que duas décadas se passaram, oito anos de Fernando Henrique, oito de Lula, Itamar. Neste dia da República, 37 manifestações foram convocadas no Brasil para protestar contra o maior inimigo da República na cultura brasileira: o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/cantorverdeamerelo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7615" title="cantorverdeamerelo" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/cantorverdeamerelo.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Aniversário da república, feriado. O ano passou como um trem bala. Daqui a pouco, a Conferência Rio+20 nos lembra que duas décadas se passaram, oito anos de Fernando Henrique, oito de Lula, Itamar.</p>
<p>Neste dia da República, 37 manifestações foram convocadas no Brasil para protestar contra o maior inimigo da República na cultura brasileira: o patrimonialismo, a incorporação dos bens públicos ao patrimônio pessoal. É um dos nomes científicos da corrupção.</p>
<p>Aqui no Rio, a data coincide com a celebração da tomada da Rocinha, num ano em que também foi ocupado o Complexo do Alemão.</p>
<p>Manchas de óleo, vazadas pela Chevron, alcançam 163 km2 no litoral norte do Rio. As autoridades da capital e das cidades do norte fizeram uma grande manifestação pelos royalties. Mas não se interessaram ainda pelo vazamento.</p>
<p>O governador Cabral deveria, pelo menos, sobrevoar. Espero que faça isto, depois de minha sugestão, embora creio que seja a última sugestão do mundo que  queira ouvir.</p>
<p>Nos Estados Unidos um vazamento, muito maior é verdade, mobilizou Obama algumas vezes. No caso do Rio, ele acontece, precisamente, na semana em que 150 mil pessoas foram as ruas pedir pelo Rio.</p>
<p>O impacto é nosso, os royalties também &#8211; dizia uma camiseta azul e branca da prefeitura de Macaé. Sinceramente, o impacto não está parecendo nosso, tal o desligamento das autoridades e dos manifestantes.</p>
<p>Esse foi o primeiro ano de Dilma. Uma verdadeira montanha russa. Ela venceu as eleições, já foi forçada a mudar seis ministros e o sétimo foi aquele a quem ela parece ter dado a mão: Carlos Lupi “eu te amo”, fanfarrão que quer ser abatido à bala de grosso calibre. Aliás, ele deve ser abatido pelo deputado Bala da Rocha, do PDT do Amapá: juntos, Lupi e Bala, criaram sete sindicatos fantasmas, conforme manchete de hoje da Folha de São Paulo.</p>
<p>O Brasil nesses 20 anos conquistou um importante papel no quadro mundial. Cresceu, ficou mais rico, dividiu renda, há uma euforia com o  consumo. Bons tempos para quem governa, aridez para a oposição, bastante devagar pelas próprias características.</p>
<p>Como trem bala, o ano passou tão rápido que nem o sentimos. Teria mesmo acontecido?</p>
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		<title>A paz cinematográfica no Rio</title>
		<link>http://oficial.blog.br/44480/a-paz-cinematografica-no-rio/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 01:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Gabeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Gabeira]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos]]></category>

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		<description><![CDATA[No livro de Franz Kafka, O Castelo, um agrimensor contratado busca o lugar onde deve cumprir sua missão. Encontra inúmeras dificuldades, emaranhados burocráticos, e cada vez se sente mais distante. Durante muito tempo, o desejo de libertação da Rocinha parecia em curso, mas sempre esbarrava em inúmeras obstáculos. E, no entanto, como foi visto hoje, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/PM11.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7606" title="PM11" src="http://www.gabeira.com.br/wordpress/wp-content/uploads/PM11.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>No livro de Franz Kafka, O Castelo, um agrimensor contratado busca o lugar onde deve cumprir sua missão. Encontra inúmeras dificuldades, emaranhados burocráticos, e cada vez se sente mais distante.</p>
<p>Durante muito tempo, o desejo de libertação da Rocinha parecia em curso, mas sempre esbarrava em inúmeras obstáculos. E, no entanto, como foi visto hoje, a porta estava aberta.</p>
<p>Alguns artigos de jornal perguntam como foi possível que Nem tenha dominada a Rocinha por tanto tempo. E respondem com dados respeitáveis: a corrupção policial, criada em torno do negócio milionário.</p>
<p>Mas, e a corrupção policial, por que teve um prolongado êxito? Havia também uma teia de relações políticas em torno da Associação de Moradores, aliada de Nem.</p>
<p>A expressão eleitoral desse processo foi Claudinho da Academia, eleito vereador na Rocinha, num processo cheio de compra de votos e ameaças aos eleitores.</p>
<p>O que permitiu longa vida ao esquema montado por Nem foram complexas e delicadas relações. Se a Rocinha era ocupado por quase 200  homens armados, por que foram realizadas lá as obras do PAC? Não seria mais racional pacificar primeiro?</p>
<p>É preciso deixar baixar a poeira, para compreender melhor essa história. No momento, a ocupação é um motivo de celebração, muitas vezes ampliado pelas suas características cinematógraficas.</p>
<p>Como foi exatamente a prisão de Nem? A PF se antecipou para ouvi-lo e, imagino, também para  conhecer sua verdadeira base de apoio entre os policiais cariocas.</p>
<p>Havia negociações entre ele a polícia do Rio para se entregar? Houve tentativa de suborno? A versão divulgada pelo governo nos enche de esperança. Um milhão de reais foram recusados por PMs que ganham modestos salários.</p>
<p>Seria interessante também conhecer esse processo de tentativa de suborno? Os implicados estão presos?</p>
<p>É preciso de um certo tempo para compreender o que se passou na prisão e ao longo de todo o reinado de Nem na Rocinha.</p>
<p>Tinha quase certeza de que a invasão de hoje não encontraria nenhuma resistência. Mas o governo procurou um caminho mais espetacular, certamente, visando, além do público interno, a imprensa estrangeira já interessada na Copa do Mundo e Olímpiadas.</p>
<p>Até na Lagoa, onde nada acontecia, exceto as habituais quedas de skate e distensões musculares, acudiram três cavaleiros da PM para nos mostrar que o governo não só estava no comando da cidade, como nos protegia.</p>
<p>Sobre a ação dessa patrulha, que acompanhei, longe dos tanques, posso dizer apenas que não há nada a relatar, exceto alguns acidentes fisiólogicos. Mas o governo, vocês sabem, não pode administrar também a incontinência equina.</p>
<p>A Rocinha é um lugar com grande atividade empresarial e criativa. Ali se formaram grandes fortunas com o trabalho e boas idéias.</p>
<p>Seu potencial econômico, com a valorização imobiliária, vai aumentar. É muito cedo para prever o futuro. Ele tem toda a chance de ser melhor.</p>
<p>Voltaremos, quando o clima de guerra passar.</p>
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