Tenho resistência baixa pra ignorância(não confundir com educação ou cultura).
Entendi – com a maturidade, que contra ela só a fuga rápida, pois o embate compromete as coronárias.
Na noite de ontem, voltava de São Paulo -vivenciando o que tem se tornado rotina (e chamamos #gincanadainfraero no twitter), os atrasos e maus tratos sofridos nos aeroportos.
Congonhas pra mim virou prenúncio de pesadelos.
Pois bem, na noite de ontem, após rotina longa e exaustiva na capital paulista, buscava ansiosa pela possibilidade de retorno. Pra tanto me pus a esperar os (até então)45 minutos de atraso no portão de embarque(que era o 6 depois virou 3) no lado esquerdo das cordas, onde no chão estão marcados símbolos designando acesso para prioridades, idosos, crianças e deficientes.
Estava acompanhada do meu filho pequeno, que adoentado e exausto subia no meu colo. Só uma mãe se entende com mais de 20 kilos no colo num corpo equilibrado num salto 10…
Poderia ter me posicionado na extrema direita do embarque do vôo 3952 da Tam ontem, uma vez que possuo o cartão fidelidade vermelho que dá prioridade aos passageiros fidelizados e freqüentes de embarcar primeiro, não o fiz, por escolha de seguir a regra de acesso com crianças.
Pois bem, nos 46 do segundo tempo, depois da espera massacrante, a recepcionista de aeroporto com crachá da Tam com o nome de Caroline, chamou o embarque prioritário pelo lado direito. Chamei educadamente a atenção dela para o fato de estarmos ali, no lado esquerdo em pé há séculos, o lugar designado a crianças e, perguntei se ela não iria chamar ali primeiro também.
A dona encrenca disse que não, que “prioridade é do lado direito”.
Tentei argumentar que viajo toda semana e vejo -além das marcas no chão designando embarque por ali, passageiros sendo embarcados com crianças na corda da esquerda.
Ela foi irredutível e grosseira e ainda foi mais grave ainda quando disse em alto e bom som pra que toda uma fila pudesse ouvir, que “eu conheço a senhora, e a senhora sempre faz isso”. Estarreci. Choquei. Achincalhada em praça pública, uma pessoa como eu, que dá a atenção que eu dou à ética!
Que “senhora” seria essa que ela conhece, e que eu desconheço?
Voei por baixo das cordas fui até a frente dessa garota desqualificada, mostrei meu cartão vermelho, que prioriza embarque e disse: “a senhora certamente não me conhece, pois nunca, em qualquer tempo, minha educação e cortesia não permitiriam que, eu tentasse furar uma fila”.
Minha revolta bateu na escala decibel da covardia explícita.
Outro dado é que quase nunca viajo com meu filho, portanto, essa situação era inédita.
Mas estava ali, tentando, como sempre, ser uma cidadã decente, e sendo achincalhada por uma funcionária deplorável que traduz com perfeição(e é com infelicidade que falo isso) a situação dos nossos transportes aéreos.
Estava em choque de ouvir isso de uma pessoa que deveria me servir com cortesia, especialmente em ouvir tal acusação gravíssima e sem precedentes ou provas(pois não as há, nem nunca haverá) de tal ato deselegante.
Essa dona caroline da tam, que se recusou a dar sobrenome(pedi, mas ela arregou,) àquela altura estava fadada a receber um processo por calúnia e difamação. Ela pretendia acabar -na porta de um embarque, com todo meu esforço e empenho na educação e civilidade e na qual pauto a educação que dou ao meu filho, pobre testemunha ocular do desrespeito sofrido por mim por aquela irresponsável.
Foi um bafafá, que me deixou a ressaca com a qual escrevo aqui.
A moça Caroline(sem sobrenome), recepcionista do turno da noite da Tam em Congonhas, repetiu a acusação enquanto meu marido, coitado, discreto como é, se via as voltas com o manuseio da certidão de nascimento do nosso Pedro pra entregar no embarque.
Entrei no avião, como se tivesse sido atingido na minha honra por uma bala de fuzil.
Fui até o capitão(piloto) relatei a situação toda do constrangimento sofrido por mim e presenciado por meu filho pequeno, e da recusa da moça a me dar sobrenome, subsídio indispensável para que eu fizesse essa pessoa se retratar.
Estava de fato muito abalada. Injustiça e Ignorância, os dois “I”s mais perigosos da humanidade.
Enquanto o embarque acontecia, ele chamou o gerente da Tam no aeroporto, Teixeira, que me explicou que a Tam proíbe a revelação dos nomes completos dos seus funcionários. O dele inclusive era só “Teixeira”.
Muito conveniente, ter apenas metade da sua identidade revelada, fica mais fácil poder sair incólume e sem punições, disse eu, de situações como esta.
O fato é que não obtive o sobrenome. Assim com não atrasei o vôo, com minha tentativa de defesa de honra, mas alguns babacas das primeiras filas – a tal da ignorancia, ávidos por culpar alguém pelo atraso de 50 minutos da Tam, me xingaram quando voltei ao meu assento 3 minutos depois da frustrada conversa com “Teixeira”.
Ser vidraça. Somos vidraça.
E quando deixamos, por medo da pedrada, de agir em defesa dos nossos direitos, alimentamos a quimera do mau serviço e do abuso.
Fiquei extremamente revoltada de ser acusada publicamente -por uma funcionária de uma empresa importante e que deveria ter noção do perigo (e recruta mal alguns de seus funcionários), de algo que em hipótese alguma jamais fiz.
A “senhora” em questão aqui tem compromisso com a ética e a civilidade e repudia qualquer gesto de “levar vantagem em tudo”. Um dos bens mais preciosos que possuo, passa ao largo do dinheiro. É a herança de educação que recebi e transmito ao meu filho. Não pretendo jamais a santidade, mas prezo o que construí, uma reputação ilibada e uma consciência tranquila.
Agora me sinto completamente roubada do meu direito de defesa garantido nas nossas leis, por falta de um sobrenome.
Aquela recepcionista que me atacou sem precedentes e injustamente, por mera implicância -só posso crer, pode me difamar, me caluniar, mas eu não posso fazer ela se retratar como se deve, porque “a Tam se reserva o direito de não dar sobrenomes”, segundo me diz o gerente crachá, “Teixeira”.
É o fim dos tempos.
Se eu me sinto de mãos atadas e “embrulhada” com esse episódio odioso acontecido comigo, o que não acontece às mães do Complexo do Alemão?
O Brasil está sendo desenhado enquanto nossos filhos crescem, portanto, não esqueçamos jamais que cada criança é a possibilidade de um futuro melhor.
Educação é tudo.
Exemplo, mais ainda.
Um beijo,
Chris