Christine Fernandes

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Christine Fernandes

EU VOLTEI

 

DO DESTINO QUE GUIA

 

 

Depois que meu pai faleceu, raras foram as vezes que voltei a este teclado.

Esse tecladinho tem um poder de tirar de mim segredos inconfessáveis.

Pelo gosto do privado, evitei.

 

Hoje volto aqui, no Dia de São Judas Tadeu, que ainda me remete ao último Dia de São Jorge. Dia que me mudou pra sempre.

Sempre. Nunca. Palavras tão definitivas. Pesadas ou leves como uma nuvem pode ser.

De lá pra cá, entendo mais a morte.

Desde esse dia morreu tanta gente, além do seu Antonio.

Morreram Formiga, Steve Jobs, Luiz Mendes(“o comentarista da palavra fácil”, que embalou muito meus sonos no banco traseiro do carro do meu pai, na volta dos jogos no Maracanã), Bernardo Jablonsky, o pai do João Pedro, o pai do Gianechinni, a mãe da Malu e do Dida e milhares de outros sem tantas implicações em minha vidinha.

Passada a fase inicial pós-traumática e niilista, percebo-a com mais naturalidade.

Morremos todos os dias quando morrem pessoas que fazem parte(em menor ou maior grau) da nossa existência.

Nunca conheci Steve Jobs, por exemplo, mas ele chegou até mim através dos seus inventos, em que toco –há mais de uma década, muito mais do que em familiares queridos.

Com Luiz Mendes, vai um pouco da minha infância. Ou das lembranças dela.

E por aí vai…

Nascemos, crescemos e não cabemos mais em nossas roupas. Não cabemos mais onde um dia fomos.

A dinâmica da vida é essa e o saudosismo e a amargura são ruas sem saída.

Adultos, desapegamos.

Não com gosto. Não com facilidade.

Mas o quanto antes se percebe, melhor de se viver.

Viver enquanto se pode.

O destino guia quem aceita, e arrasta quem resiste.

Fica a Dica…

Um beijo,

Chris

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MEU RETORNO

NO SAPATINHO

Tentei não ouvir.
Mas o silêncio assolador, ensurdecedor
A vida breve
A carne fria da pessoa viva
incomoda.
A urgência é uma doença crônica?

A ausência é a uva
A pres…

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Christine Fernandes

Woody Allen

Além de Midnight in Paris

Woody Allen é um romântico. E um talento raro.

Seus filmes são cada vez mais simples e, mesmo assim, não perdem jamais a complexidade que recheia a vida.

Um diretor de atores brilhante – nunca há qualquer dissonância, em nenhum dos seus filmes. Um maestro que imprime nos atores a alma daquele universo, e não temos a distração da dúvida: Embarque imediato.

 

Depois de assistir “Midnight in Paris”, lembro de uma frase contida nos ingressos de cinema, quando eu era criança: “Cinema é a maior diversão”. E é, e foi e sempre será.

 

Woody Allen – desde que se apaixonou pelo estrangeiro, no fantástico “Match Point”, só expande pra além de New York, e no entanto, sem deixar de criticar a mentalidade americana média, cada vez mais distante do seu pensamento artístico.

“Meia- Noite em Paris” é uma fábula.

O insatisfeito que fantasia, que compreende, e que volta ao seu início, agora modificado pela visão. Final feliz…

Tem todos os ingredientes de um bom Allen, com um plus: Seu refinamento artístico cada vez mais apurado permite que a gente veja como ele faz malabarismos, com as épocas, seus ídolos, suas influencias, sua maturidade.

 

Um Woody Allen apaixonado por Paris explode na tela de maneira arrebatadora.

Como disse antes, Woody Allen é um romântico.

 

Liv Ullmann(grande atriz norueguesa) contou que quando estava em cartaz com “A Casa de Bonecas”, de Ibsen, em NY, recebeu flores de Woody Allen, que desesperadamente queria conhecer o Bergman(cineasta, ídolo e marido dela). Liv conseguiu que Bergman concordasse que ela o convidasse para um jantar na suíte do Hotel onde ela estava hospedada.

Woody chegou cerimonioso, entrou mudo e saiu calado. Ele não ousou dizer uma só palavra, depois dos cumprimentos iniciais e, passou o resto da noite, ouvindo o que eventualmente Bergman falava(ele era muito silencioso).

Liv diz que, apesar do silêncio imperial, foi uma noite muito curiosa e agradável. O silêncio pareceu natural, tal a admiração e respeito mútuos(ok, mais de Allen, que era novato, à época).

 

Isso tudo só pra dizer que ir ao cinema e ser encantado por uma história é algo mágico, possível e necessário.

Façam bom proveito de momentos como este.

Merecemos uma fuga pra além de nós.

Uma ótima semana começa agora…

 

Chris

 

PS: Pra quem se interessar, fui fuxicar e encontrei o poema de T.S Elliot, “Prufrock”(mencionado nos diálogos do filme), lido pelo mesmo, no youtube:

http://migre.me/55kS5 Tem versão traduzida também.

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Perder

 
Os ruídos que fazemos
As palavras que descortinamos
Arquitetando uma saída
Pro insolúvel mistério que nos espreita desde o Raiar dos Tempos
Morrer. Dormir. Talvez sonhar.
A vida tem Hamlet…
 
Passos …

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Contra a Dengue?

"Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em min…

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Christine Fernandes

Para não dar Margem…

Sobre a minha saída do Saia Justa

 

Todo meu foco e energia se destina a estar com minha família nesse momento.

Antes que os urubus e vermes de plantão possam vir a especular ou tentar criar polêmica sobre minha saída do programa Saia Justa, escapo momentaneamente do meu recolhimento pra afirmar que não há nada de conflitante sobre o assunto.

Meu contrato com o (ótimo) GNT ia até 31 de março apenas.

A rotina de gravações em São Paulo estava extenuante e impossível para alguém que, como eu, precisa estar presente e disponível no Rio de Janeiro.

Meu momento pessoal também é difícil de conciliar com um programa de exposição de idéias, como é a natureza do programa.

Foi uma experiência muito enriquecedora, mas finita, uma vez que não me sentia capaz de viver essa angústia -que é a dura realidade da luta pela vida de um pai, em “praça pública”.

Há momentos em que mesmo o artista mais exibicionista precisa de recolhimento.

Perdão se desaponto alguém com a simplicidade dos meus motivos.

É tudo. E é só.

 

Um beijo,

Christine Fernandes

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José Alencar e outros Deuses

 

 

Morre um herói.

José Alencar sucumbiu hoje à doença.

Lutou com bravura, com humor e coragem. Persistente e tinhoso, como deve ser quem enfrenta esse mal chamado câncer.

 

Meu pai Antonio tem muitos paralelos com José Alencar e, como ele, começou a trabalhar ainda cedo – aos tenros 6 anos, pra sustentar sua mãe(que morreu analfabeta, aos 97 anos) e dois irmãos menores, uma vez que era órfão de pai.

Esses dois gigantes souberam driblar as adversidades, crescendo na vida e desafiando o destino que para eles estava reservado.

José Alencar foi um político sóbrio e confiável. Um brasileiro fiel e guerreiro.

Meu pai saiu da roça calejado, mas homem bom e estudioso fez 3 faculdades e ganhou mundo, e deixará pra nós quando partir a melhor das heranças, uma boa educação e um bom caráter.

Meu pai também -como o nosso hercúleo ex-presidente, é uma força da natureza, e batalha com firmeza contra uma leucemia diagnosticada a pouco mais de 2 anos.

Caros, preciso dizer que é um Tour de Force, mas pessoas como meu pai e o José -que deixará saudades pelo seu exemplo, imprimem sua marca de estoicismo e luta. Samurais…

São homens como esses, que nunca desanimam, que nunca entregam os pontos, que serão pra sempre motivo de inspiração para mim.

 

Um beijo,

Christine

 

PS:5ml de sangue apenas habilita vocês a se cadastrarem  no REDOME, Cadastro Nacional de Doação de Medula Óssea. Simples assim a chance de salvar a vida de alguém. Além de ser madrinha da campanha, eu sou uma doadora. E você? Para maiores detalhes (21)39704100 ou redome@inca.gov.br

 

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Nihon

DA TV

 

Sento e assisto estupefata às imagens da destruição imposta pelo “Big One”, o tal terremoto devastador, que os japoneses sempre temeram. Veio enfim, nessa madrugada.

 

Morei diversas temporadas de 4 meses no Japão, a trabalho. Tenho mais de 2 anos da vida gastos lá, não há como não me comover e me identificar com essa tragédia.

A Angústia, que povoa a certeza de que Não Somos Nada…

 

O povo japonês tem prédios construídos para segurar trancos de terremotos. Prédios flexíveis.

Pois é, até viver lá nem sabia que existiam, mas há.

Tudo lá é pensado e testado. Competência é marca indelével mesmo no japonês mais preguiçoso.

 

Em várias ocasiões ao longo do ano, todos os anos, recebemos treinamentos para estarmos preparados no caso de um terremoto. As cidades param para isso. Pára banco, pára escola, pára shopping, paramos todos pra treinar como evacuar lugares -públicos ou domésticos, com segurança, pois o abrigo mais próximo é pré-determinado de acordo com sua localização. Todos tem casa um kit sobrevivência que incluí até água potável que dura 5 anos!

Um povo que nunca esqueceu o terremoto da década de 30 e sempre se preparou.

 

Mas o que fazer contra a água que destrói até navios de grande porte? Pra onde fugir?

Contra tsunamis não há quem possa, nem os incríveis japas.

Minha esperança é que os poucos mais de 60 minutos(o tempo entre o terremoto e o maremoto) possam ter sido suficientes para fugir e achar um lugar seguro e a salvo das ondas gulosas.

Acho pouco provável, no entanto.

As cidades japonesas são todas de construções baixas. Casinhas tradicionais, na maior parte.

Mesmo em megalópoles como Tokyo e Osaka, fora os arranha-céus inteligentes, são cidades baixas e, suscetíveis portanto, à força das águas.

Temo muito pelo número de vítimas, mesmo sabendo que não existe lugar no mundo mais preparado para uma tragédia desta proporção.

 

A Terra nessa madrugada moveu seu eixo em 25 centímetros, acelerou sua rotação e encurtou os dias em 1,6 microssegundos!

Quanto tempo é isso?

Sei lá, mas acho que está na mais do que na hora da gente aqui dar a devida importância à prevenção de desastres naturais, assunto de suma importância, mas que não “emplaca” nunca na Terra Brasilis porque simplesmente não dá votos. Que a visão da devastação oriental, lave a ferrugem do ocidente tropical.

 

E que o Japão acorde esperançoso.

 

 

Sayonara…

 

 

 

 

 

 

 

 

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A Omissão Mata de Novo

12 de janeiro de 2011.

A chuva castigou de novo o Estado do Rio de Janeiro.

 

A terra encharcada desce furiosa levando qualquer obstáculo no caminho.

No seu encontro, a falta de prevenção dos governos.

O saldo? Vidas.

Desaparecidas ou destruídas, vidas. Lares, empregos, sonhos, amores.

 

Agora há pouco, a imagem de um resgate impressionante. Uma mulher içada por uma corda abraçada por seu cachorrinho que “se perdeu” no caminho, engolido pelo barro em fúria. Imagem capaz de tatuar a alma.

Mas, curiosamente não é capaz de sensibilizar nossos governantes a fazer investimentos (mais do que urgentes) na prevenção desse tipo de tragédia!

 

A natureza castiga e, castigará ainda mais. O ciclo começou e não precisa ser Nostradamus pra avisar.

A prevenção pode minimizar tanto os rastros dolorosos dessas intempéries…

Quantos Bumbas e Angras precisaremos para que não tenhamos tantas vidas perdidas como essas, nesse espaço de tempo tão curto, na região Serrana do Rio dessas últimas horas?

O “Morro Bumba”, do meu post do ano passado, aqui nesse mesmo espaço, ainda está fresco.

E nada mudou…

 

Os gastos destinados no orçamento para esse tipo de investimento, de prevenção de calamidades, foram substancialmente reduzidos do último ano pra cá, no entanto, outros gastos, outros ministérios e outras verbas ganharão novos dinheiros, novos direitos e donos.

Quando nossos fazedores de leis serão enfim sensibilizados pelo drama incauto da omissão do Estado?

A cada nova chuva, gastamos muito mais em reconstruir o que pra muitos será simplesmente irreparável.

 

No Japão, onde vivi pouco, mas tempo o suficiente pra participar dos chamados “drills”, os treinamentos no caso de alguma catástrofe.

No caso do Japão, a grande preocupação sempre foi a de terremoto.

No meio da madrugada ou no meio do dia, empresas, bairros inteiros recebem este tipo de treinamento. Aprendemos a evacuar locais de risco com segurança, meios de nos proteger dentro de casa, saídas em caso de fogo ou gás e, tudo mais.

Soa um alarme e todos, sem exceção, do zé lulinha da silva à família lula dos passaportes diplomáticos, somos obrigados a participar.

O que isso representa?

Respeito, cuidado, consciência e valorização da sua população.

 

A prevenção lá é vista como uma forma de economia.

Só aqui no Brasil (e certamente em outras partes mais mal administradas desse mundão) é que o dinheiro que pode poupar nossos corações e vidas não é visto como um investimento necessário e urgente.

Somos o país da falta de memória.

Da alegria esfuziante do sol e da solidariedade que brilha depois da tragédia e nos faz, povo guerreiro, ressuscitar, como um milagre.

 

Ao menos por ora, felizmente.

Mas até quando, será meu Deus(!), sobreviveremos com alguma esperança de que o Estado resolva essa pouca vergonha que é, no mínimo, uma baita duma economia burra?!

 

Entre raiva, indignação e dor -pelos que estão no olho do furação, grito.

 

E como sou afortunada de não ter que enfrentar a lama de cara, fico aqui, revoltada, mas mobilizada.

Suplico por doação de sangue, colchões e doações de qualquer espécie -que eu, no meu pequeno universo, posso viabilizar.

Empregando a criatividade em algum lugar que possa me trazer alguma possibilidade de paz ao sono -certamente difícil, dessa  noite tristíssima.

A quem puder, sugiro o mesmo.

 

 

PS: Ninguém aqui é tão ingênuo ou raso de culpar os governos pelas intempéries da natureza. Mas sim pela omissão que um investimento preventivo poderia minimizar em dor e perdas.

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Christine Fernandes

POR UM 2011 MENOS MÍOPE

O som da cigarra predonima.

Ao longe, um cão que comunica alguma coisa urgente que não compreendo.

 

O Lusco Fusco é, sem dúvida, das pinturas mais belas. Cintila tudo em mim.

Meus ouvidos ávidos capturam até o vento soberano que aperta com firmeza as folhas nos topos das árvores.

E há a panela. E o martelo. Remetendo sempre às nossas origens de dominadores da natureza.

 

Que rosto terá o usuário da vassoura que toca no playlist do anoitecer do Itanhangá?

Homem ou mulher invisíveis, mas presentes no enquadramento.

 

A imaginação gerada pelo horizonte visual…

Uma emoção delicada num mundo cada vez mais míope.

Invenção perigosa, o computador.

A tela que nos conecta ao mundo, nos coloca em batalhas, tarefas, online 24/7, chamando pra tão tão pertinho, aproximando o foco do olhar humano.

 

A falta do hábito reduz a capacidade de enxergarmos mais longe.

Lembremos! Não pratica, não usa, se perde…

Estamos perdendo essa capacidade, por falta de uso.

Uma mutação em curso? Não sei…

 

Sentada na direção do “meião de mundão” à minha frente -nesse instante mágico,  percebo o exercício de ginástica que requer olhar ao longe, nesses tempos modernos.

 

Gostei de me alongar.

Buscar um mundo menos míope. Descolar do brilho da tela e olhar pro mundo ao redor, “ao infinito e além”, como diria Buzz LightYear.

Expandir universos. Perder o olhar. Ou perder-se.

Pra achar.

Um prazer, que seja.

 

Feliz 2011!

 

 

"Forçamos nossos olhos a estar em tensão constante para focar objetos próximos. Temos poucas chances de olhar cenários distantes"(Terri Young, da Universidade de Duke, Carolina do Norte, EUA).

PS: De uma matéria que li tem um tempo.

 

 

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Christine Fernandes

Achincalhada no Embarque

Tenho resistência baixa pra ignorância(não confundir com educação ou cultura).

Entendi – com a maturidade, que contra ela só a fuga rápida, pois o embate compromete as coronárias.

 

Na noite de ontem, voltava de São Paulo -vivenciando o que tem se tornado rotina (e chamamos #gincanadainfraero no twitter), os atrasos e maus tratos sofridos nos aeroportos.

Congonhas pra mim virou prenúncio de pesadelos.

Pois bem, na noite de ontem, após rotina longa e exaustiva na capital paulista, buscava ansiosa pela possibilidade de retorno. Pra tanto me pus a esperar os (até então)45 minutos de atraso no portão de embarque(que era o 6 depois virou 3) no lado esquerdo das cordas, onde no chão estão marcados símbolos designando acesso para prioridades, idosos, crianças e deficientes.

Estava acompanhada do meu filho pequeno, que adoentado e exausto subia no meu colo. Só uma mãe se entende com mais de 20 kilos no colo num corpo equilibrado num salto 10…

Poderia ter me posicionado na extrema direita do embarque do vôo 3952 da Tam ontem, uma vez que possuo o cartão fidelidade vermelho que dá prioridade aos passageiros fidelizados e freqüentes de embarcar primeiro, não o fiz, por escolha de seguir a regra de acesso com crianças.

Pois bem, nos 46 do segundo tempo, depois  da espera massacrante, a recepcionista de aeroporto com crachá da Tam com o nome de Caroline, chamou o embarque prioritário pelo lado direito. Chamei educadamente a atenção dela para o fato de estarmos ali, no lado esquerdo em pé há séculos, o lugar designado a crianças e, perguntei se ela não iria chamar ali primeiro também.

A dona encrenca disse que não, que “prioridade é do lado direito”.

Tentei argumentar que viajo toda semana e vejo -além das marcas no chão designando embarque por ali, passageiros sendo embarcados com crianças na corda da esquerda.

Ela foi irredutível e grosseira e ainda foi mais grave ainda quando disse em alto e bom som pra que toda uma fila pudesse ouvir, que “eu conheço a senhora, e a senhora sempre faz isso”. Estarreci. Choquei. Achincalhada em praça pública, uma pessoa como eu, que dá a atenção que eu dou à ética!

Que “senhora” seria essa que ela conhece, e que eu desconheço?

 

Voei por baixo das cordas fui até a frente dessa garota desqualificada, mostrei meu cartão vermelho, que prioriza embarque e disse: “a senhora certamente não me conhece, pois nunca, em qualquer tempo, minha educação e cortesia não permitiriam que, eu tentasse furar uma fila”.

Minha revolta bateu na escala decibel da covardia explícita.

Outro dado é que quase nunca viajo com meu filho, portanto, essa situação era inédita.

Mas estava ali, tentando, como sempre, ser uma cidadã decente, e sendo achincalhada por uma funcionária deplorável que traduz com perfeição(e é com infelicidade que falo isso) a situação dos nossos transportes aéreos.

Estava em choque de ouvir isso de uma pessoa que deveria me servir com cortesia, especialmente em ouvir tal acusação gravíssima e sem precedentes ou provas(pois não as há, nem nunca haverá) de tal ato deselegante.

Essa dona caroline da tam, que se recusou a dar sobrenome(pedi, mas ela arregou,) àquela altura estava fadada a receber um processo por calúnia e difamação. Ela pretendia acabar -na porta de um embarque, com todo meu esforço e empenho na educação e civilidade  e na qual pauto a educação que dou ao meu filho, pobre testemunha ocular do desrespeito sofrido por mim por aquela irresponsável.

Foi um bafafá, que me deixou a ressaca com a qual escrevo aqui.

A moça Caroline(sem sobrenome), recepcionista do turno da noite da Tam em Congonhas, repetiu a acusação enquanto meu marido, coitado, discreto como é, se via as voltas com o manuseio da certidão de nascimento do nosso Pedro pra entregar no embarque.

Entrei no avião, como se tivesse sido atingido na minha honra por uma bala de fuzil.

Fui até o capitão(piloto) relatei a situação toda do constrangimento sofrido por mim e presenciado por meu filho pequeno, e da recusa da moça a me dar sobrenome, subsídio indispensável para que eu fizesse essa pessoa se retratar.

Estava de fato muito abalada. Injustiça e Ignorância, os dois “I”s mais perigosos da humanidade.

Enquanto o embarque acontecia, ele chamou o gerente da Tam no aeroporto, Teixeira, que me explicou que a Tam proíbe a revelação dos nomes completos dos seus funcionários. O dele inclusive era só “Teixeira”.

Muito conveniente, ter apenas metade da sua identidade revelada, fica mais fácil poder sair incólume e sem punições, disse eu, de situações como esta.

O fato é que não obtive o sobrenome. Assim com não atrasei o vôo, com minha tentativa de defesa de honra, mas alguns babacas das primeiras filas – a tal da ignorancia, ávidos por culpar alguém pelo atraso de 50 minutos da Tam, me xingaram quando voltei ao meu assento 3 minutos depois da frustrada conversa com “Teixeira”.

 

Ser vidraça. Somos vidraça.

E quando deixamos, por medo da pedrada, de agir em defesa dos nossos direitos, alimentamos a quimera do mau serviço e do abuso.

Fiquei extremamente revoltada de ser acusada publicamente -por uma funcionária de uma empresa importante e que deveria ter noção do perigo (e recruta mal alguns de seus funcionários), de algo que em hipótese alguma jamais fiz.

A “senhora” em questão aqui tem compromisso com a ética e a civilidade e repudia qualquer gesto de “levar vantagem em tudo”. Um dos bens mais preciosos que possuo, passa ao largo do dinheiro. É a herança de educação que recebi e transmito ao meu filho. Não pretendo jamais a santidade, mas prezo o que construí, uma reputação ilibada e uma consciência tranquila.

 

Agora me sinto completamente roubada do meu direito de defesa garantido nas nossas leis, por falta de um sobrenome.

Aquela recepcionista que me atacou sem precedentes e injustamente, por mera implicância -só posso crer, pode me difamar, me caluniar, mas eu não posso fazer ela se retratar como se deve, porque “a Tam se reserva o direito de não dar sobrenomes”, segundo me diz o gerente crachá, “Teixeira”.

É o fim dos tempos.

 

Se eu me sinto de mãos atadas e “embrulhada” com esse episódio odioso acontecido comigo, o que não acontece às mães do Complexo do Alemão?

O Brasil está sendo desenhado enquanto nossos filhos crescem, portanto, não esqueçamos jamais que cada criança é a possibilidade de um futuro melhor.

Educação é tudo.

Exemplo, mais ainda.

 

Um beijo,

Chris

 

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Christine Fernandes

24Novembro2010

ACORDEI COM UM PESADELO

QUE NÃO PASSA

 

Sentada no silêncio, à frente da caixa de entretenimento prateada.

Escrevendo e socializando com a real da vida.

24 de novembro, (pra sempre) aniversário do meu saudoso amigo Guilherme.

 

No Rio de Janeiro, a bandidagem destronada pelas Unidades Pacificadoras tornam nossa Cidade Maravilhosa mais insegura e menos maravilhosa.

Eu e a população da cidade(e por que não, do mundo?) em estado de terror.

Como que a espera de uma tragédia.

Calendário Maia, El Ninõs?

Que nada… Finitude mesmo.

 

Nosso sentir é moldado pelo externo, e certamente, se nos percebemos íntimos de um hall de entrada, um elevador, ou mesmo  ou do staff, de um determinado hospital, somos afetados, claro.

Vista cansada…

Mas de verdade, de verdade, não estou falando de mim.

A angústia que me ocupa de suspiros agora, não é só minha.

Não é meu pai tão somente, nem tampouco o terror cotidiano.

 

É tudo:

O nada.

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Christine Fernandes

Um Salá, o que é?

13:00, Istambul.

 

Os muçulmanos rezam 5 vezes por dia, na Mesquita Azul, virados pra Meca.

Numa dessas chamadas(audíveis na redondeza)para o Salá(assim que se chamam), eu estava porta da Mesquita Azul aguardando pra visitar.

Foi informado aos turistas – eu incluída, que visitações só depois das 14hs, depois de terminado o Salá.

 

Um pouco mais de uma centena de homens muçulmanos já haviam entrado.

Tiravam seus sapatos e colocavam num saco plástico descartável, transparente.

E cruzavam a porta da curiosidade pra mim.

 

Não me aguentei, meu espírito Christiane Amanpour(uma jornalista inglesa da CNN, que adoro) falou mais alto e fui “dar uma cantada” num dos guardas da porta.

Um deles, tinha me barrado, só me restavam os outros 3.

Escolhi um e fui. Perguntei se poderia entrar e fui informada que além de mulher, era estrangeira, portanto,só depois das 14hs.

Sorri com sincera simpatia por aquela cultura estranha pra mim.

Argumentei que vinha de muito longe, o Brasil, e essa era minha oportunidade única de ver uma Salá ao vivo.

Ele respondeu que não podia. Eram as regras(que eu adoro subverter).

Não desanimei, questionei como uma mulher ocidental poderia se converter ao Islamismo sem conhecer parte da cultura. Essa era minha chance de “viver aquilo” e aquilo “era uma prática excludente”, eu disse.

Ele me olhou com curiosidade, acho que o deixei sem argumentos, o que foi de alguma forma eficaz, pois ele me deixou entrar afinal, com a condição que eu obedecesse suas instruções.

Mandou que eu retirasse os sapatos, guardasse no plástico. Lá dentro eu deveria ficar atrás da grade de madeira que separa os participantes(só homens), dos observadores(aí sim, pode mulher muçulmana e crianças). Não ficasse de pé. Não falasse. Enfim, que não desse "alteração".

 

O ritual é rico de se ver.

Antes de entrar ali, os homens se lavaram fora da mesquita em uma das inúmeras torneiras na parede externa. Ritual de purificação que precede a reza, denominado “wubu”.

Quando entram na mesquita guardam seus sapatos numa das prateleiras de madeira laterais, feitas pra este fim.

Alinham-se, virados pra Meca e recitam o “takbir”, ou exaltação.

Depois fazem aquele movimento de agachar, um monte de vezes, não saberia precisar quantas.

Entra então, um homem mais velho que ministra a reza.

Quando esta figura hierárquica se posta na frente, o homens assumem outra configuração entre si. Agora eles devem se enfileirar horizontalmente, ombro com ombro, até esgotar todos os espaços da primeira fileira e assim sucessivamente.

Juntinhos, como uma massa única, eles dizem trechos do alcorão e agacham de novo, colocando o rosto ao chão.

Muitas vezes esse movimento e, muitas vezes a repetição das súplicas.

É um sobe e desce, vertiginoso (que deve estourar com os ligamentos dos joelhos), mas que tem um balé absurdamente bonito.

Há uma energia quase concreta naquela compilação de fé. Algo muito poderoso.

Messiânico, quase.

Muito embora não tenha compreendido as palavras, certamente apreendi a força energética do momento.

Um link de pouco mais de um minutinho pra dar o clima:

http://migre.me/2jAfX

 

Beijo,

Chris

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Christine Fernandes fotografa editorial de Moda em Paris

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Istambul

UMA ALMA TURCA?

Era início de outubro e me punha de novo num avião rumo a outro continente.
Dessa vez, chegaria em Paris, durante as Coleções de Moda e fotografaria uma aventura relacionada ao tema, em locaç&oti…

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Polêmicas Cristalinas

Buenas, caríssimos:
 
Muito me envaidece que palavras amontoadas por mim (em até 140 caracteres apenas) surtam uma certa polêmica.
Muito embora seja um tanto cansativo, pois me impele …

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Polêmicas Cristalinas

Buenas, caríssimos:
 
Muito me envaidece que palavras amontoadas por mim (em até 140 caracteres apenas) surtam uma certa polêmica.
Muito embora seja um tanto cansativo, pois me impele …

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TEXTO DA INDEPENDENCIA

OU NOSSO VOTO

 
Sou afortunada.
Nos últimos meses estive em 3 diferentes continentes. E culturas.
Uma  África em flor e em Copa.
Bichos homens atrás do sonho da consagraç&…

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TEXTO DA INDEPENDENCIA

OU NOSSO VOTO

 
Sou afortunada.
Nos últimos meses estive em 3 diferentes continentes. E culturas.
Uma  África em flor e em Copa.
Bichos homens atrás do sonho da consagraç&…

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OLIVIERO TOSCANI

I’m in New York. Alone.
Life’s short and my time has called me here.
Sinto saudades enormes. O hiato entre mim e meu habitat, e os meus, é doloroso, claro.
Mas let’s hear from NY, concrete jungle where dreams a…

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